pó 007
Não sou escritor, sou antes um debitador de caracteres à velocidade permitida por dois dedos indicadores e um médio, por norma desatento e a quem demasiadas vezes a realidade parece um sonho estapafúrdio de contrasensos e desentendimentos.
A realidade não é harmoniosa, nem eu quero que o seja.

pó 006
Cá fora, debaixo da arcada e com a chuva a cair sobre a multidão, sobre os carros agora furiosos, sobre os pedintes e os polícias, sobre os cães vadios que passavam os caminhos de todos os dias, olhámo-nos uma vez mais e beijámo-nos.
Acho que já não me apetece ir ao cinema, disseste-me.
Amo-te, disse-te.

pó 005
Não sei mais pormenores.
O Sr. P, durante algum tempo há-de viver ainda nas nossas consciências.
Na dele, não.
A dele deixou de existir.


pó 004
Alegre companhia a minha
Neste local deslocado
Onde a vergonha é paga à saída
E a memória não existe

pó 003
Esta tinha um esgar que outrora poderia ter sido um sorriso mas que não o era já e olhava-me fixamente com os olhos emoldurados pelo vermelho velho do sangue misturado com o pó.



pó 002
Barbudos, cabelos grandes, boina mal posta, abraçavam-se à população nas ruas – as chaimites, meu Deus, as chaimites eram a menina dos meus olhos – haviam cravos e as pessoas riam.
Nunca tinha visto algo assim.

pó 001
Houve um tempo em que o Mundo era a preto e branco.
É verdade.
Era um mundo pequenino povoado por uma imensidão de fantasmas vestidos da mesma forma, falando da mesma maneira, fazendo todos a mesma coisa, todos os dias, todas as horas, ad eternum, amén.





<< Home

[CJT]





This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Counter Stats
flowers online
flowers online Counter